sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Blogagem coletiva: AMOR PRÓPRIO


Há muito tempo atrás, eu me enxergava com os olhos dos outros. Achava que precisava da aprovação das pessoas. Eu era modelo e isso ajudava a atrapalhar a cabeça de um menina nova também. O tempo passou um pouco e com ele vieram as responsabilidades, os relacionamentos e a construção de uma identidade só minha.
Descobri que a gente se conhece quando tá na merda.E o que vc fizer pra mudar ou se reinventar é o que vai te ajudar a não viver de novo situações iguais.
Como falei no post de baixo, tenho minha pereba Catarina e foi nessa época que ela apareceu na minha vida. E junto vieram as espinhas.
Nunca tive espinhas, fui uma adolescente de pele lisinha...
Mas depois de um namoro que me matava a cada dia e que eu não conseguia terminar e de uma crise existencial começaram a brotar espinhas em mim. Só que eu já tinha uns 22 anos.
Eu sempre fui palhaça, alegre, adoro festas, rir alto. Comecei a me fechar num casulo invisível.
Ia pra faculdade e pra academia e só. Não saía mais, chorava, chorava, me sentia feia. Apesar de tudo não perdia o resquício de bom humor que me restava e me auto entitulava de Chokito. Minhas amigas riam comigoe tudo, mas por dentro eu estava morrendo. Era só um jeito de descontrair e viver. Até hoje não sei se isso é uma qualidade ou um defeito pq continuo fazendo isso. Camuflo minhas dores com bom humor que eu não sei de onde tiro. Com isso as pessoas acham que eu estou sempre mega feliz e às vezes nem estou.
Bom, meus dias de Chokito estavam contados porque resolvi tomar aquele remédio Roacutan que era super polêmico. Na época, se disserem que tomar suco de mofo acabava com espinhas eu tomava!Huhauau!
O tratamento é lento e primeiro o remédio piora a pele pra depois ir secando as malditas. Já estava esgotada e tive que vestir uma armadura de paciência e junto com o remédio ir tomando doses de auto-estima. Seis meses assim. Fui pra terapa.Terminei o namoro. Comecei a me sentir mais "fortinha". Colei meu coração com band-aid e aos poucos fui saindo do meu casulo. Sozinha.
Passado o trauma mas ainda com as marcas na pele,me formei na faculdade e consegui um curso em Florença de história da Arte e Italiano. Parti sozinha, pra casa da irmã de uma amigo que eu nem conhecia.
Achava que não ia fazer amigos, que não ia me virar, duvidava de tudo de legal que eu era e sou. Viajei muito por lá, comecei a fazer mil amigos que são presentes até hoje, namorei um italiano e aos poucos fui me aceitando de volta, sendo gentil comigo, aceitando meus defeitos e valorizando as coisas boas que eu tenho. Me fortaleci, me conheci e me amei.
Tudo de ruim que passei até ali ajudou a me deixar mais forte e discernir o que eu quero pra minha vida. E o que não quero.
Desde então, criei uma barreira contra sentimentos ruins, pessoas que me fazem mal ou coisas que possam me prejudicar.
Parei de me enxergar com os olhos dos outros. Comecei a me ver com meus olhos e sendo assim, sei meus limites, minhas dificuldades, meus sonho que são meus e de mais ninguém.
Beijos

14 comentários:

Tati Pastorello disse...

Nossa, Thaís! Escrevemos quase o mesmo post!! hehehe
Sua mãe já tinha colocado, nos meus comentários, um pouco da sua história, que era parecida com a minha. Mas agora, lendo. É mais parecida ainda!!! A diferença é que as minhas espinhas chegaram após o fim do namoro (ao ver meu ex com sua atual, na nossa faculdade), e não tomei Racutam. Senti muuuuita vontade, mas não fiz.
Tenho marcas até hoje. Mais manchas, na verdade. Assumo, por enquanto. Peelings estão na minha lista de desejos...
Beijos.

Manuela Freitas disse...

Óptimo post Thaís, a experiência da vida sempre nos ensina os caminhos a tomar, por vezes é preciso reflexão, coragem e determinação. Mas de tempos a tempos lá vem uma carga que nos pôe cá embaixo e lá temos que trabalhar essa lama que nos submerge, para conseguir erguer a cabeça e sair dali. A vida é um grande desafio para nós próprias, PENSO EU!...
Muitos beijinhos,
Manú

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Demais Thais esse post!
Parece que nas dores a gente pega forças para se solidificar por dentro. Aprendemos a digerir o que é ruim. E dele nos vacinar.

Vc é uma pessoa especial, bem que sua mãe fala e com razão.
bjs adorei ler seu post.

orvalho do ceu disse...

Olá,Thaís
Ótimo dia para a gente refletir sobre nossa conduta pessoal.
A INTEGRAÇÃO do nosso ser é processo que vale a pena!
Harmonia e abraços fraternais
Já passei por 3 posts dessa Blogagem com foto pessoal... muito boa estima. Parabéns!

Glorinha L de Lion disse...

Você é linda mais que demais...você é linda sim...onda do mar do amor que bateu em mim....Lindaaaa, poderosaaaa, minha deusa, minha filha, te amoooooo! beijos.

Socorro Melo disse...

Oi, Thaís!

Uma experiência e tanto. O sofrimento é realmente um grande mestre. Tentamos fugir dele, mas, as lições que aprendemos são as mais preciosas. Que bom que você venceu tudo, e se descobriu, e se amou e ama. É essa a nossa meta mesmo, nos amar e respeitar e achar nosso lugarzinho ao sol.

Beijos
Socorro Melo

Beth/Lilás disse...

Thaís queridona!
Que belo depoimento e reflexão profunda! Torço por você, sabe disso, né!
Você ainda tem muito chão pela frente e tomara seja com esta garra que está sentindo aí dentro agora.
um beijo grande carioca

Isadora disse...

Thaís é impressionante como em uma determinada fase da vida parece que andamos com a autoestima no pé, mas o tempo, esse sábio, nos ajuda e nos faz perceber as coisas de uma outra forma e vemos que sim, nós somos o que queremos ser, ainda que vez ou outra a gente tombe, mas levanta, faz pose e segue.
Um beijinho

Lúcia Soares disse...

Superação, Thaís. É o que nos move. Mas toda essa vivência sua faz parte da vida da maioria de nós, pessoas românticas, de bem com a vida, que não vêem maldade nos outros, que acham que todo mundo "é legal".
Não lhe conheço pessoalmente mas sei que é uma moça encantadora.
Quando nos expomos (também falei um bocado de mim, hoje...) estamos sujeitas a ficar, felizmente, mais esclarecidas, mais aliviadas.
Beijo!

Nilce disse...

Oi, Thaís

Não consegui chegar aqui nas outras blogagens, mas volto assim que puder, dar uma bisbilhotada.
Adorei o seu texto. Realmente sua história se parece com a da Tati.
Superação é tudo.
Parabéns pelas conquistas!

Bjs no coração!

Nilce

pensandoemfamilia disse...

Belo depoimento. Vamos em altos e baixos ganhando sabedoria. Olhar-se com os próprios olhos e amar-se e seguir aceitando os desafios.
bjs

Cantinho She disse...

Ei Lindona, tudo bem? Adorei o seu post, e ainda bem que as inseguranças normais em todas nós passou pq eu te acho simplesmente LINDAAAAAAAAAAA!
Menina, senti sua falta ontem em nossa Desvirtualização, pena que vc não pode ir, foi muito bacana, gostoso e divertido e sua mãe é um encantoooooooooo de pessoa. Adoro!
Na próxima a gente se encontra... Beijo, beijo! :)
She

Kilzer disse...

Que exagero...Acho que mesmo que ficasse cheia de espinhas e careca vc não conseguiria ficar feia...Fora que Catarina é um charme!!
Bjs.

Solon disse...

Nosssa... esse olhar 43 na foto tá demais!!! Mirame con tus ojos, Ale Alejandra...